Programa Repórter do Futuro encerra a terceira temporada
- Luana Copini
- 23 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
A quarta temporada, prevista para maio de 2026, irá contemplar as produções da 5ª edição do curso Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo e do 18º Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter. As três temporadas já somam 56 episódios disponíveis para assistir quando quiser.
Por Thaís Manhães.

Parece que foi ontem que a parceria entre o Projeto Repórter do Futuro e a Rede Câmara São Paulo começou e, nesta semana, lá estávamos eu, Thaís Manhães, e meu companheiro de apresentação Pierre Augusto, gravando o último episódio da terceira temporada do programa na emissora legislativa.
Para coroar este terceiro ciclo do programa, iniciado em setembro de 2024, recebemos Sergião, o jornalista Sergio Gomes, diretor da OBORÉ, o cara que criou o Projeto Repórter do Futuro.
Durante esta última gravação, conversamos sobre o Projeto, que há 31 anos atravessa a formação de estudantes de jornalismo, e sobre os frutos e desafios desta parceria com Rede Câmara, que começou em 2022. De lá pra cá, o Programa se tornou um espaço de experiência na formação de jovens estudantes de jornalismo, além de um meio de distribuição de suas produções. Afinal, como diz o Sergio, “o jornalista não é só quem pergunta, é quem também publica”.
Ao final da gravação, teve bolo de fubá na redação da Câmara que, diga-se de passagem, estava maravilhoso! Na prática da comensalidade, promovida por nosso diretor, Sergião, comemos, criamos e comemoramos juntos.
“Nós temos que estar ligados, tudo significa mais do que parece. O repórter deve ter faro, deve ter ajuda dos profissionais e dos professores que têm mais experiência para identificar precocemente quais são os assuntos que precisam ser ouvidos”, me disse o Sergião durante uma breve entrevista de registro que fizemos durante a confraternização. Eu havia perguntado a ele qual era, afinal, o diferencial do Projeto Repórter do Futuro.
Lembro-me da minha primeira experiência no programa, lá em 2022, não como apresentadora, mas como uma das primeiras estudantes entrevistadas. Do outro lado estavam os Repórteres do Futuro veteranos, Amanda Stabile e Augusto Godoy, que me fizeram refletir acerca dos bastidores e vários caminhos da reportagem. Na ocasião, foi apresentado o trabalho “No meio do caminho tinha uma árvore”, que produzi com meu grupo durante a 14ª edição do Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter.
Em 2022, logo no começo, o programa não tinha estúdio, era gravado no Auditório Prestes Maia - o que demonstra e refletia uma nova e boa ideia ganhando forma. E eu, tinha apenas dois meses de formada na faculdade, e nenhuma experiência com TV, só com jornalismo impresso. Lembro ainda do nervosismo e da série de gaguejadas durante a entrevista. Na plateia estavam Sergio Gomes, Pola Galé e Ronald Sclavi que participaram dos registros deste primeiro dia de gravação do mais novo programa na Rede Câmara.
Ao longo dos anos, a parceria entre o Projeto e a emissora foi ficando mais forte. Na segunda temporada, em 2023, o programa ganhou um estúdio para chamar de seu: o estúdio Vladimir Herzog, com um cenário descolado, equipamentos fixos e quatro poofs vermelhos - dois para os apresentadores e outros dois para os entrevistados.
Durante as duas primeiras temporadas, foram ao ar 27 episódios, com produções dos módulos Correspondentes da Cidadania, Cinema e Jornalismo (1ª, 2ª e 3ª edições) e 14º e 15º Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter.
Os temas das reportagens e videodocumentarios exibidos são sempre variados: mudanças climáticas, saúde para pessoas trans em São Paulo, futebol de várzea, memória nacional, cultura, espaços públicos, dentre outros. Esta é uma característica que mais admiro no Projeto: a diversidade de olhares sobre a cidade que proporciona ao espectador (e por que não aos futuros repórteres também) contato com realidades muito distantes entre si.



Em setembro de 2024, Amanda e Augusto passaram o bastão para nós, eu, Thaís, e Pierre. Eu, que jamais imaginei apresentar um programa de TV, topei o convite da Ana Luisa Gomes, diretora da OBORÉ, e encarei o desafio com toda a responsabilidade que um chamado da Ana merece.
Uma das primeiras experiências de gravação que tivemos foi no terraço da Câmara, quando gravamos a chamada para o programa. Na tela, nós e o cenário de São Paulo, confirmando o que o Projeto Repórter do Futuro incentiva: aguçar o olhar para encontrar as milhares de pautas disponíveis na maior metrópole da América Latina.
Nesta terceira temporada, com o legado e o fôlego crescente que nossos antecessores deixaram, gravamos 30 episódios, com a participação de aproximadamente 60 estudantes e recém-formados.
Para cada gravação, a preparação começa muito antes da equipe do switch dizer no ponto “gravando”. Primeiro, assistimos às reportagens e mini documentários enviados pela produção. E depois, escrevemos um pré-roteiro de perguntas, destacando as partes que mais chamam nossa atenção, seja a pauta, a escolha das fontes, os enquadramentos, o uso de recursos visuais. Sempre que possível, fazemos pré-entrevistas remotas para quebrar o gelo e deixar os estudantes mais à vontade na hora da gravação.
Pierre, meu companheiro de apresentação, também foi Repórter do Futuro, em 2022, quando produziu sua primeira reportagem “Rap na Agulha”, durante a 1ª edição do módulo Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo.
“O Projeto Repórter do Futuro tem muito disso: essa ressignificação. Eu entrei de um jeito, saí de outro, e no meio do caminho apresentei um programa de TV. Então, é muito bonito ver como esse ciclo se fecha”, me contou numa dessas entrevistas curtas que fiz durante a confraternização de fechamento da temporada.
Agora, falando por mim, ainda em primeira pessoa, apresentar um programa de TV me trouxe alguns desafios e aprendizados. O primeiro, e me parece até um pouco óbvio, é superar a timidez. É impressionante como, quando ouvia “gravando” no ponto, subia um frio na barriga. A mão, gelada. O olhar, assustado.
O segundo, é um desafio: trabalhar para que o entrevistado se sinta mais confortável. Assim, repasso aqui uma dica para os próximos Repórteres do Futuro que venham a entrar nesta ciranda: cheguem uma hora antes da gravação e conversem com seus entrevistados, mesmo que tenham feito uma pré-entrevista remota. Esse bate-bola faz toda a diferença. Quem me deu essa dica foi Heidy Vargas, jornalista e companheira do Ronald Sclavi, coordenador pedagógico do Projeto Repórter do Futuro, em um dos domingos na Praça Memorial Vladimir Herzog. Foi uma grande dica e a deixo com vocês.
A produção do programa é um capítulo à parte, complexo e invisível ao público, essa engrenagem só funciona graças ao olhar atento da Luana Copini, gestora de projetos da OBORÉ e responsável por produzir cada episódio, unido a disponibilidade dos entrevistados, dos apresentadores e da emissora.
A equipe técnica da Rede Câmara também foi (e é) fundamental em todo o processo. Além da operação dos equipamentos, eles participam na orientação dos jovens apresentadores, seja na construção dos roteiros ou na dinâmica frente às câmeras.
“É legal essa convivência com os apresentadores, mostrar ‘olha, isto não funciona’, ‘ esse texto que você escreveu é para jornalismo escrito, não para televisão’, vamos mudar um pouquinho. Então, eu acho que é um desafio não só para eles, mas para nós que estamos do lado de cá acaba sendo uma escola”, compartilhou Carolina Figueiredo, coordenadora de produção que nos acompanhou nos últimos meses de gravação.
Estas três temporadas foram construídas pelas mãos de dezenas de pessoas que ainda não foram nomeadas neste texto. Para saber quem são, veja aqui: créditos das temporadas 1 e 2; créditos da temporada 3.
O programa tem uma característica crossmídia, presente em diferentes canais. Toda segunda-feira, às 16h30, além de ir ao ar na TV pelo canal 8.3, os episódios são lançados na live do YouTube e no site da emissora. Uma novidade que chegou com esta temporada, é uma página própria do programa dentro do site da Rede Câmara. Lá estão concentrados todos os episódios desta e das duas temporadas passadas, bem como nesta playlist no canal da emissora na plataforma online de vídeos.
Os episódios inéditos são publicados em um intervalo de quinze dias, e entre eles são reprisados episódios anteriores. Sobre as reprises, informo também que até o início da próxima temporada (que deve começar em maio/junho de 2026), no horário do programa, serão exibidos episódios desta última temporada.
Ao longo do processo, a divulgação do programa nas redes sociais da OBORÉ também foi se estruturando. Uma série de cortes das entrevistas, fotos e bastidores contribuíram para promover o programa no ambiente virtual.
Por isso, ao ser impactado pelas chamadas do Programa Repórter do Futuro, corra para assistir! É por tudo isso que escrevi acima que vale a pena.




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