Vivências em produção audiovisual marca encontro com Cláudio Kahns
- 23 de fev.
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A atividade com o realizador, produtor e diretor de cinema faz parte do cronograma da quinta edição do curso Cinema & Jornalismo: Luzes sobre São Paulo, do Projeto Repórter do Futuro. Dani Pimenta, DJ, produtora cultural e pesquisadora é a convidada do próximo sábado, 31.
Por Thaís Manhães.
No último sábado, 24, ocorreu a quarta aula do Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo 5. E a pauta da vez — produção audiovisual — contou com a presença ilustre de Cláudio Kahns, profissional com mais de quarenta anos de carreira e responsável por filmes e documentários históricos. Durante a dinâmica, Kahns relembrou momentos-chave de sua carreira no audiovisual, indicou filmes e apontou a produção de cinema como um universo particular que se define filme a filme.
Entre suas produções estão "A Marvada Carne” (1985), vencedor do Festival de Gramado na categoria de Melhor Filme no mesmo ano, e os documentários históricos como “35: o assalto ao poder” (2002) e “Imagens do Estado Novo 1937–1945” (2016).
O nascimento da Tatu Filmes, em 1981, produtora que atuava em um sistema de cooperativa, foi um marco em sua trajetória, pois permitiu a profissionalização da produção cinematográfica. Para Kahns, o processo de criação audiovisual é essencialmente coletivo, e a troca com outras pessoas é fundamental para a realização de um filme.
Ainda neste sentido, quando perguntado sobre como se dá o processo de produção e direção, a resposta foi imediata: “el camino se hace al caminar”, parafraseando Antonio Machado Ruiz, poeta espanhol. Segundo Kahns, cada filme possui um universo particular de produção, cada processo será diferente do outro. Cabe aos produtores, porém, estarem atentos para atender as demandas necessárias para que o produto exista.
“Mamonas pra Sempre” (2011) e “Santo e Jesus, Metalúrgicos” (1983) são dois dos filmes dirigidos por Kahns. Segundo ele, os trabalhos de direção e produção caminham lado a lado, embora tenham atribuições distintas.
“Produzir um filme é cuidar de todos os aspectos, desde a constituição da equipe até a viabilização da ideia. Como você vai traduzir a ideia, o texto em imagens cinematográficas. Você precisa ter as locações, o elenco. No caso do documentário, precisa ter os entrevistados, levantar os recursos, ver os contratos, colaborar e organizar a pesquisa que você vai fazer naquele assunto”, disse Kahns.
“Ao diretor compete mais o lado artístico: a escolha do elenco, as locações, as cores. Ao produtor, o equipamento. Mas tudo é feito em conjunto; o produtor está sempre ao lado do diretor e vice-versa. Quando o filme fica pronto, vem o lançamento, que é muito o trabalho do produtor: decidir onde lançar, com quem, em qual circuito, em quais cidades, onde fazer as pré-estreias, definir a estratégia de divulgação, imprensa…”, explicou.
Para quem está começando a produzir filmes, Kahns deixou algumas dicas de hábitos.
“Ler bastante e ver filmes são práticas que sempre inspiram. É importante buscar não apenas os grandes sucessos, mas também filmes mais difíceis, e, muitas vezes, mais interessantes e profundos. Além disso, é fundamental filmar: hoje, com o celular, praticamente não há limites. É possível gravar planos longos, experimentar livremente, filmar o que quiser. A partir de uma ideia, mesmo que pequena”, afirmou.
Cláudio Kahns
Nascido em São Paulo, Cláudio Kahns está há mais de quarenta anos ligado ao cinema brasileiro. Estudou na Escola de Sociologia e Política em São Paulo e na École Pratique des Hautes Etudes, Université de Vincennes, École des Beaux-Arts na França. Lá realizou Do Outro Lado, filme em super 8 premiado no 1º Festival Brasileiro de Super 8.
Voltando ao Brasil estudou na ECA-USP. Organizou cineclubes e realizou a curadoria de mostras de cinema em Paris e em São Paulo, onde também trabalhou como jornalista no caderno “Folha Ilustrada”, do jornal Folha de S.Paulo. Programou filmes na rede de bibliotecas infantis de São Paulo.
Fundou a produtora Tatu Filmes em 1981, com mais seis cineastas. Participou da produção e coprodução de inúmeros curtas-metragens, documentários para emissoras estrangeiras, filmes institucionais e longas-metragens. Foi Presidente da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas) e sócio fundador da distribuidora CDI - Cinema Produção Independente e participou de diversos júris de festivais e seleção de projetos para produção.
Foi também Assessor Especial de Cinema na Secretaria de Estado da Cultura, entre 1989 e 1991. Em 1997 fundou sua segunda produtora, a Brasil 1500, coligada à Tatu Filmes, e desde então dirige ambas as empresas. Atualmente, prepara documentários, séries e filmes de ficção em co-produções nacionais e internacionais.
Dani Pimenta
A convidada do próximo sábado, 31 de janeiro, será a jornalista Dani Pimenta. Ela é DJ, produtora cultural e pesquisadora. O encontro será em torno da audição prévia do documentário "Uma Breve História Sobre O Sound System", de Thiago Nascimento, disponível na plataforma da SPCine.
Saiba mais sobre este módulo e as aulas já realizadas:
Aqui o cronograma completo desta edição:
Aulas sempre aos sábados, das 10h às 13h: Conferências remotas com os convidados (via Zoom).
Aula 1 e 2: 6 e 13 de dezembro de 2025 - Aldo Quiroga
Aula 3: 17 de janeiro de 2026 - José Roberto Torero
Aula 4: 24 de janeiro de 2026 - Cláudio Kahns
Aula 5: 31 de janeiro de 2026 - Dani Pimenta
Aula 6: 7 de fevereiro de 2026 - Bianca Vasconcellos
15 de dezembro de 2025 a 30 de abril de 2026: Produção das obras audiovisuais + Oficinas livres
Maio a outubro de 2026: Participação no Programa Repórter do Futuro na Rede Câmara (facultativo) e Click PRF - Mostra de videorreportagens do Repórter do Futuro, com lançamento do e-book no auditório da Escola da Cidade (Rua General Jardim, 65, Vila Buarque, São Paulo)
O curso “Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo” é realizado pelo Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas e Sociais (IPFD), em parceria com a OBORÉ e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, fruto de emenda parlamentar do vereador Professor Eliseu Gabriel (PSB).
Sobre o módulo Cinema e Jornalismo:
As transformações cada vez mais rápidas e profundas pelas quais a cidade de São Paulo vem passando nas últimas décadas evidenciam que a tarefa de comunicar as suas realidades, dinâmicas de funcionamento e instrumentos de participação é crescentemente complexa.
Essa velocidade de transformação da cidade e da sociedade vem acompanhada de novas possibilidades de leitura e registro com o avanço tecnológico e a revolução digital. Porém, empreender o mergulho necessário para registrar e documentar as múltiplas realidades paulistanas requer boa preparação prévia, informação qualificada e conquista de repertórios éticos, estéticos e sensíveis, o que pode ser desenvolvido pelo acesso a recursos e narrativas artístico-culturais, em especial o Cinema e os múltiplas formatos audiovisuais que atualmente circulam nas mais diversas telas, mídias e plataformas.
Neste projeto, em sua quinta edição, a proposta é continuar jogando luz sobre as muitas questões que envolvem a vida cotidiana em São Paulo com a ajuda de obras audiovisuais e documentários produzidos e disponíveis na plataforma da SPCine para, em seguida, discutir novas pautas e incentivar novas produções e narrativas jornalísticas e audiovisuais.
SERVIÇO
“Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo” - 5ª edição | 2025
Encontros em formato remoto com atividades de campo presenciais
Vagas: 150
Datas dos encontros remotos: 6 e 13 de dezembro de 2025, 17, 24 e 31 de janeiro de 2026, 7 de fevereiro, sempre aos sábados, das 10h às 13h, via Zoom
Mais informações:
Telefone: (11) 2847.4567 / Whatsapp: (11) 99320.0068




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