“Mamonas Pra Sempre” , um documentário para além da tragédia


Encontro de encerramento da segunda edição do módulo Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo trouxe reflexões acerca de pauta, abordagem, edição e produção de bons documentários.


O último encontro do módulo Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo aconteceu no último sábado, 12 de novembro, e contou com a presença do diretor e produtor de cinema Claudio Kahns. Ainda , na ocasião, os estudantes foram convidados à audição prévia de sua obra Mamonas Pra Sempre, de 2011.


Claudio Kahns começou como realizador e produtor no início dos anos 80, fundando a Tatu Filmes e dirigindo documentários de curta e média duração, como O sonho não acabou (1980) e Santo e Jesus, metalúrgicos (1983), e produzindo o longa-metragem Janete (1982), de Chico Botelho. Destacou-se no cenário nacional como produtor de A marvada carne (1984), de André Klotzel.


A obra Mamonas Pra Sempre mostra a trajetória meteórica da banda de rock e comédia Mamonas Assassinas, desde antes da fama até o auge da carreira, em 1995. O documentário foi exibido pela primeira vez numa sessão especial no ginásio Paschoal Thomeu, em Guarulhos.


Para Claudio, esta foi uma ação importante, já que a trajetória da banda nem sempre foi prestigiada pelos moradores da sua cidade natal: Guarulhos. “Tanto a estreia do filme quanto a própria história deles trouxe ao espaço geográfico este reconhecimento, porque eles não eram reconhecidos por lá antes da fama. E quantas outras bandas e artistas não conseguem este reconhecimento em seus territórios?”


O filme usa imagens de arquivo e cenas de bastidores gravadas pelos próprios integrantes dos Mamonas Assassinas, amigos próximos e familiares. Ele resgata ainda cenas e momentos marcantes da disputa entre as emissoras de televisão Globo e SBT para tê-los em suas programações de domingo.


Sobre os arquivos e imagens, Kahns revela que grande parte delas foram inéditas, extraídas de arquivos longos de gravação, mas que não haviam sido utilizadas e que, pela qualidade, não se sabe o por quê. “A cena do Dinho chutando a câmera, por exemplo, fui eu que encontrei neste material que não havia sido abordado… uma das reflexões que cabe aqui é o que queremos e o que entregamos ao editar e compartilhar um material gravado.”


Ele afirma ainda que tentou fazer um filme com uma narrativa linear, contando a história da forma mais simples possível. “Queria fazer um filme leve e engraçado, como eles eram, mostrando a luta deles em se estabelecerem enquanto banda”.


Questionado sobre a não abordagem da tragédia aérea que vitimou todos os integrantes da banda e outras pessoas, Cláudio afirma que não se interessou por esta abordagem, indo em consonância a um pedido feito pela família na época. “Minha intenção nunca foi abordar o acidente e quando o pedido da família chegou, estava tranquilo e de acordo com ele”.


Sobre o curso


Até aqui, foram 8 encontros com especialistas e cineastas debatendo e fazendo reflexões acerca de 8 obras cinematográficas selecionadas e assistidas durante o percurso.


A partir deste último encontro, e concomitante com os demais que antecederam, os estudantes seguem com produções de obras audiovisuais que trazem reflexões importantes sobre temas diversos acerca da cidade de São Paulo.


Confira aqui como foi cada um dos encontros:


Reflexões sobre jornalismo e aprendizagem marcam o início do curso Cinema e Jornalismo

“Acesso à arte deveria ser um direito de todos”, afirma Fernanda Bueno durante encontro com Repórteres do Futuro

Um céu de estrelas: diálogo entre temática e expressão audiovisual

“Minha avó era palhaço” foi tema de encontro com estudantes de cinema e jornalismo

“Estas eleições são as mais importantes do mundo no atual contexto político internacional”, afirma Maringoni

Audição do longa Carandiru, de Hector Babenco, e discussão sobre o sistema prisional brasileiro são temas de encontro do Repórter do Futuro

“O tempo do documentário é o tempo da realidade, não o tempo do autor”, afirma Silvio Tendler

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