Espaços de afeto na capital paulista: uma conversa sobre memórias afetivas


"Não existe amor em SP", diz o músico Criolo. Desde então, não faltam debates que aceitam ou refutam tal afirmação.


No último sábado, 20/11, os integrantes do curso "Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo" pareceram concordar que há, sim, amor em SP. Em uma conversa com André Deak, produtor cultural, professor do curso de Cinema da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e coordenador do módulo, a turma compartilhou vivências pessoais na cidade e as múltiplas formas de amá-la ou admirá-la. Deak é diretor do documentário "Mapas Afetivos", obra discutida pelo grupo no encontro.


Por meio de depoimentos de diversas pessoas – anônimas e famosas – o Mapas Afetivos literalmente traça uma cartografia de lugares onde os entrevistados mais se sentiam bem na cidade ou espaços onde construíram boas lembranças. Uma das perguntas feitas pela produção era justamente sobre quais seriam os lugares de amor na cidade.

Deak comenta que é famosa a estampa onde se lê "I love NY" e que, por muito tempo, o habitual era dizer o oposto de São Paulo. Com o filme – produzido em parceria com Felipe Lavignatti – ele quis desconstruir essa percepção.


"Depois que você ouve uma história marcante, nunca mais passa pelo lugar da mesma forma", conta Deak, que também é jornalista dirige o Laboratório de Formatos Híbridos na ESPM.



As histórias que cada pessoa conta também revelam uma cidade muito particular e específica. Para Deak, vizinhos de porta compartilham cidades completamente distintas porque vivem experiências variadas, o que altera a relação que constroem com o espaço.

"A gente acaba passando pela mesma rua e não percebe as coisas. E quando você olha tem um mural de Di Cavalcanti na rua, por exemplo!", comenta o jornalista.

Sobre mostrar emoções em vídeo, Deak comenta que acha válido e que prioriza sempre humanizar suas produções. "Acho mais importante ser mais humano. o que eu quero dizer com isso? A gente só recentemente começou a ver jornalista chorando na TV, antes pegava mal. Tem uma teoria do jornalismo que vai dizer que o jornalismo contemporâneo vai ser mais transparente e não imparcial", comentou.


Humanizar e apresentar as emoções, para ele, deve se sobrepor porque acredita que é isso que é procurado hoje em dia. "Me parece que as pessoas vão procurar youtubers e influencers porque eles são mais humanos. Quem quer saber de lide hoje em dia? Querem saber de emoção, da verdade da pessoa"


O jornalista ressalta – e pensando no jornalismo–, que isso não significa que não se deva ouvir diferentes vozes, mas, sim, olhar para a necessidade de se prestar mais atenção na suposta imparcialidade. "Se existisse a escravidao como antes, o jornalismo hoje daria uma página para o escravo e outra para o dono do escravo, e eu acho absurdo esse tipo de coisa", afirmou.


O documentário "Mapas Afetivos" está disponível gratuitamente no Youtube.



Sobre o Curso

Neste novo curso do Projeto Repórter do Futuro os alunos serão convidados a assistir filmes, participar de debates, reflexões e entrevistas coletivas com especialistas sobre as obras cinematográficas e as temáticas envolvidas na programação, além de produzirem, durante o percurso, trabalhos jornalísticos que deverão ser publicados em diferentes formatos e plataformas (textos, vídeos, áudios, entre outros).


O curso é realizado pelo Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas e Sociais (IPFD), em parceria com a OBORÉ Projetos Especiais, e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo graças a emenda parlamentar destinada ao projeto pelo vereador Eliseu Gabriel, presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de São Paulo.


Cronograma Os encontros ocorrem desde 6 de novembro e prosseguem até 29 de janeiro, sempre aos sábados, das 10h às 12h30.

Para mais informações escreva para cinemaejornalismo@ipfd.org.br.

3 visualizações